Se você acompanha o noticiário econômico, sabe que o IPCA subiu bastante. O acumulado do ano já chega a 5,67% e, nos 12 meses até agosto de 2021, a alta atingiu 9,68%. Esses números fizeram o Banco Central admitir que o país vai estourar a meta da inflação, cujo teto estava fixado em 5,25%.

Mas o que tudo isso significa na prática? Bem, podemos dizer que o dinheiro das famílias brasileiras está valendo menos. A elevação do IPCA indica produtos e serviços mais caros, o que acaba pesando demais no orçamento doméstico.

Para entender melhor de que forma as oscilações da economia afetam o seu bolso, siga conosco. Vamos explicar como o índice de preços é calculado, que impactos a inflação traz ao dia a dia e como você pode proteger seu patrimônio financeiro. Aproveite as dicas!

O que é IPCA

IPCA é a sigla para Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Como o nome sugere, ele serve para observar a variação de valores em determinado período.

O cálculo é feito por equipes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os meses, o órgão realiza um levantamento de 430 mil preços em 30 mil locais de venda espalhados pelo país.

São incluídos na pesquisa diversos produtos e serviços considerados importantes para o orçamento das famílias. A cesta engloba, entre outras categorias:

  • Alimentos e bebidas (como carne, tomate e frutas);
  • Comunicação (como telefonia e internet);
  • Educação (cursos, leitura e itens de papelaria);
  • Habitação (como energia elétrica, taxa de água e esgoto);
  • Saúde e cuidados pessoais (como produtos farmacêuticos e serviços médicos);
  • Transporte (combustível, passagem de transporte público);
  • Vestuário (roupas, calçados e acessórios).

A comparação dos números reflete o custo de vida em 13 regiões metropolitanas e mais três municípios brasileiros. Embora a coleta de dados não envolva todo o território nacional, o IPCA vale como índice oficial da inflação no país.

Como o IPCA impacta sua vida financeira

Diversos fatores ajudam a explicar a disparada do IPCA. De acordo com o Banco Central, o cenário de hoje é afetado principalmente pelas commodities e pela crise energética. De um lado, estão grãos, minérios e petróleo cotados em dólar, que ficaram mais caros. Do outro, as bandeiras tarifárias elevaram a conta de luz.

A soma desses elementos leva a um custo de produção mais alto. Isso gera um efeito cascata em toda a cadeia econômica – nas lavouras, na indústria e no comércio. Então, o resultado aparece na etiqueta dos itens que você consome. Veja as consequências:

Consumo

Inflação significa menos poder de compra. Por exemplo, imagine que você gastou R$ 100 no supermercado. Se o IPCA acumulado for de 10% nos próximos 12 meses, você vai pagar R$ 110 pelos mesmos produtos daqui a um ano.

Essa realidade atinge, principalmente, famílias que ganham até cinco salários-mínimos. Nessa faixa de renda, a maior parte do orçamento vai para despesas básicas, como comida e moradia. Ou seja: qualquer alteração põe em risco o bem-estar de todos.

Investimentos

Uma estratégia do Banco Central para frear a inflação consiste em elevar a Selic. Quando a taxa básica de juros está alta, os consumidores têm menos acesso a crédito e acabam gastando pouco. No longo prazo, há redução na demanda por produtos e serviços, o que derruba os preços – e, consequentemente, o IPCA.

Porém, a alta da Selic torna-se positiva para quem tem aplicações financeiras. Como esses ativos rendem juros sobre o valor depositado, um cenário de elevação engorda o patrimônio dos investidores.

Em 2021, após quase seis anos de estabilidade, o Banco Central promoveu ajustes na taxa básica da economia. De 2% em janeiro, a Selic passou para 6,25% em setembro.

Empréstimos

Com o orçamento cada vez mais apertado, algumas pessoas decidem recorrer a empréstimos para saldar as dívidas. Só que essa pode ser uma estratégia arriscada, em tempos de ascensão da Selic.

Os juros altos elevam o preço do crédito. Desse modo, as prestações da financeira podem ficar bem salgadas.

É preciso tomar cuidado até mesmo com as compras no cartão. Se você pagar apenas o valor mínimo, vai entrar no rotativo, com juros compostos que fazem o déficit crescer exponencialmente.

Dica: Juros simples e juros compostos: você sabe a diferença?

Como se planejar diante da inflação?

O momento inspira prudência. Enquanto o IPCA permanecer num patamar elevado, você deve tomar medidas para conter as despesas. Aqui vão algumas dicas que podem ajudar:

1. Anote seus gastos. Esse hábito serve para monitorar o consumo, de modo que você entenda quais são os pagamentos prioritários e quais são os itens supérfluos.

2. Corte despesas desnecessárias. Vale reduzir os passeios no shopping e evitar as aquisições por impulso. Aliás, falando nelas…

3. Faça lista de compras. Com esse recurso, você vai ao supermercado ou à feira sabendo exatamente o que levar para casa.

4. Compre à vista. Assim você consegue negociar descontos. Além disso, previne o risco de acumular parcelas que podem levar ao endividamento.

5. Compare preços. Qualquer que seja o IPCA oficial, os valores de produtos e serviços variam entre uma loja e outra. Portanto, pesquise as opções antes de acreditar na primeira “oferta imperdível” que encontrar.

6. Negocie as dívidas. Se há débitos em atraso, não deixe que os juros alimentem esse problema ainda mais! Em vez disso, converse com seus credores e tente reparcelar o montante em parcelas fixas, que caibam no seu orçamento.

7. Economize. Tente juntar uma graninha. Não precisa ser muito, mas deve ser sempre. Faça de conta que a poupança é uma despesa fixa, como o aluguel, e destine um valor para ela todo mês.

Aos poucos, guardar dinheiro se torna um hábito. Aí fica mais fácil montar uma reserva de emergência para enfrentar os desafios futuros.

Gostou das dicas? Esperamos que o conteúdo de hoje tenha ajudado você a entender o impacto do IPCA no dia a dia. Aqui no blog, também temos outros artigos, podcasts e diversos materiais para lhe ensinar noções de educação financeira. Fique à vontade para conferir!

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