O desenvolvimento econômico de um país depende de um sistema financeiro eficiente e inclusivo, que ofereça produtos e serviços adequados às necessidades dos cidadãos. Porém, isso não basta. As pessoas também precisam lidar com o dinheiro da maneira certa. É aí que entra a educação financeira.

Educar-se financeiramente significa aprender a gastar, poupar e investir. Quando você desenvolve essa habilidade, passa a tomar decisões mais conscientes na hora das compras, sem se deixar levar por impulsos. A consequência é que sobra grana para aplicar em projetos de longo prazo, o que garante um futuro mais confortável.

Para falar do assunto, contamos com o economista Ricardo Amorim. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), ele atua como palestrante e consultor especialista em economia e estratégia de investimentos. O conteúdo a seguir aborda impactos da educação financeira para o Brasil, como o fim do endividamento e a gestão pública eficiente. Confira!

Dica: Educação Financeira: aprenda a cuidar de seu dinheiro

Educação financeira ajuda a prevenir o superendividamento

O economista Ricardo Amorim cita três pontos relativos ao tema. O primeiro deles é como a educação financeira pode contribuir para evitar o superendividamento das famílias.

Segundo o especialista, se as pessoas fossem educadas financeiramente de uma maneira melhor, elas tomariam decisões mais conscientes. Como efeito positivo, não se endividariam de forma irresponsável. 

Um exemplo são as taxas de juros elevadas do cheque especial. Muita gente não percebe quando está caindo em armadilhas, pois tem dificuldade para entender como funcionam as progressões de valores.

Vale lembrar que a situação atual melhorou, em relação a épocas passadas. Os juros nessa linha de financiamento seguem muito altos, mas houve momentos ainda piores, em que a taxa do cheque especial chegava a ser de 400% ao ano

Para comparar, significava o seguinte: alguém que comprasse um televisor por R$ 5 mil e não pagasse teria, um ano depois, uma dívida de R$ 25 mil. Mais um ano se passava e o montante atingia R$ 125 mil. No ano seguinte, R$ 625 mil. Em resumo, o consumidor comprava um aparelho de TV e devia o preço de um apartamento em apenas três anos. Trata-se de um débito absolutamente impagável

Portanto, quando as pessoas entendem as consequências de suas ações, a tendência é que tomem decisões melhores. Educação financeira, nesse aspecto, significa não se afundar em dívidas.

Dica: 9 dicas para organizar as finanças em 2021

Entender de finanças traz mais qualidade de vida

A segunda questão levantada por Ricardo Amorim diz respeito ao impacto da educação financeira para a qualidade de vida dos brasileiros. É que dinheiro pode até não comprar felicidade, mas com certeza garante uma rotina mais tranquila.

Para o economista, quem cai em armadilhas como os juros do cheque especial se torna menos produtivo. O sujeito não rende tanto no trabalho, já que não consegue se concentrar. Suas preocupações estão voltadas para o saldo devedor.

Porém, mesmo aqueles que mantêm as contas em dia devem ir mais a fundo na educação financeira. Isso porque, depois de quitar as dívidas, vem o momento de alocar recursos em aplicações e fundos de investimento para fazer a grana render mais. É isso que proporciona o tal futuro tranquilo que citamos no início do texto.

Preste atenção nesse ponto. Segundo Amorim, conhecimentos sobre finanças serão ainda mais importantes nos próximos anos, devido à queda da taxa básica de juros do país. A Selic vem registrando os menores níveis da história. Nesse cenário, os produtos conservadores entregam rendimentos menores.

As pessoas terão que correr mais riscos em busca de um rendimento maior. Além disso, com mais disponibilidade de crédito no mercado, é preciso usá-lo com responsabilidade.

Indivíduos e empresas que não souberem aproveitar as vantagens podem cair em situações difíceis no futuro. Sendo assim, é fundamental conhecer as possibilidades de investimento, os riscos associados e o momento certo de aplicar.

Dica: Poupança: o que é, como funciona e quais são os rendimentos

Quem tem educação financeira cobra resultados do governo

O último tópico da fala do economista está ligado ao papel da educação financeira no desenvolvimento das organizações. É que entender pelo menos o básico de economia ajuda a transformar um país.

Só que nossa realidade ainda está muito atrasada. Segundo relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), os brasileiros aparecem em 17º lugar num ranking de 20 países que mede as competências financeiras dos jovens.

O PISA costuma registrar o desempenho dos estudantes em matemática e ciência. Contudo, desde 2012, também há a divulgação trianual de dados relativos ao letramento financeiro. Com média de 420 pontos, o Brasil fica atrás de países tão diversos quanto Bulgária, Chile, Eslováquia e Austrália. A Estônia lidera, com 547 pontos.

O resultado do exame é um provável reflexo do déficit educacional do Brasil. Na análise de Ricardo Amorim, uma educação financeira incipiente tem desdobramentos não só nos lares de cada família, mas na nação como um todo.

Por exemplo, diferentes governos – nos âmbitos Federal, Estadual e Municipal – vêm, ao longo de décadas, tomando atitudes fiscais irresponsáveis, empregando mal os recursos ou gastando o que não têm. Como a população não percebe isso, acaba não cobrando uma explicação dos governantes. 

Falta educação financeira para compreender de onde vem e para onde vai o dinheiro. Amorim ilustra com a seguinte situação: digamos que o governo desenvolva um programa de auxílio para distribuição de renda, que chegue a uma despesa mensal de R$ 50 milhões no período de pico. De onde partem os recursos? Dos impostos que os cidadãos pagam, afinal dinheiro não nasce em árvore.

Logo, se a máquina pública vai ter despesas extras, a arrecadação partirá de todos os brasileiros. Para o especialista, entender o equilíbrio das contas muda absolutamente tudo nos países onde a educação financeira é mais desenvolvida. Isso ajuda as pessoas a cobrarem ações mais eficientes dos gestores.

Assista ao vídeo abaixo e entenda mais sobre o tema:

E então, você concorda que a educação financeira pode trazer impactos positivos? Quer aprender mais sobre o assunto? Pois continue acompanhando nosso blog. Em breve traremos novas informações sobre crédito, investimentos e controle de despesas pessoais. Até a próxima!